• Edição especial
    n. 1 (2019)

    “Eu não sou de Humanas. Eu não sou de Exatas. Eu sou de ‘Ciências’ “

     

    Raduan Krause Lopes

    Guilherme Silveira Simões

     

    Um questionamento que ouço com frequência, no ambiente acadêmico, é o comentário que “Eu sou de Humanas”, quando aparece algum fato matemático no contexto do diálogo. Essa frase, derivado de comentários em redes sociais, me levou a pensar que a Ciência Exata pode ter passado do intervalo de confiança estatístico, falhando como uma possibilidade de resposta aos problemas humanísticos.

    A ciência, em sua essência, é uma maneira de ver e explicar os fenômenos do mundo. Muito se expressa por palavras, por conceitos e modelos escritos de modo que a mente consiga imaginar aquilo que está escrito. Uma outra maneira de se expressar um conceito ou modelo é pela Matemática, seja por gráficos, seja por equações, fórmulas ou meramente descrições nesse código. Essa codificação, porém, não tem um idioma. Matemática, atualmente, tem uma única língua. Gráficos, geometria, todos em uma única língua. O problema é que ser letrado em matemática é algo que muitos não gostam de fazer, porém, é algo necessário.

    Explicar um problema, modelar a situação para que consiga, enfim, replicar e validar uma teoria, é algo de suma importância na ciência. Muitos dos conceitos passam por um processo evolutivo, bem parecido com aquele colocado por Darwin: um ambiente está ali, seres vivos competem com suas ferramentas, algumas espécies sobrevivem frente aos obstáculos e ajustam estratégias após sobreviverem ao primeiro problema, sem saber o que virá então. Assim trabalha a ciência: não sabe quais problemas virão, usamos as ferramentas que tempos, ajustamos as teorias ou usamos novas para explicar o problema, que serão escrutinadas com afinco para serem explicadas. Essa ideia é retirada da Fórmula de Popper, que, por ter uma “fórmula” na frente, nos faz pensar em um matemático, estatístico, ou algo similar.

    O autor da Fórmula de Popper não é um matemático em essência, ainda que debateu sobre teoria quântica com Niels Bohr e Eistein. Não é um engenheiro ou um físico. Era o filósofo austríaco Karl Popper. Era “de humanas”, mas soube a importância de usar a matemática como ferramenta de trabalho. Nos primórdios da ciência, não havia distinção: o cientista não pertencia a uma área, e todos os campos deveriam ser valorizados e usados como ferramenta de trabalho e de construção do edifício do conhecimento.

    Vejamos, nesta revista, o que é que as Ciências Exatas podem ser usadas para explicar o mundo e expor modelos para explicar situações e resolver problemas de várias áreas. Aplicar a exatidão nas ideias e modelos, de modo que se tornem mais robustos para serem confrontados num mundo onde teorias são confrontadas a todo o momento e, parafraseando Carl Sagan, “nossa espécie precisa, e merece, habitantes com mentes despertas e com um entendimento básico de como o mundo funciona”. Conceitos básicos são revistos a todo momento, muitas vezes desnecessariamente. Enquanto na saúde se confronta aqueles contra vacinação, em exatas temos os “terraplanistas” e suas modelagens. Essas interpretações são as falhas a serem evitadas. A ciência, por sua vez, não pode ser limitada na academia. Explique o mundo. Nós todos merecemos isso.

  • Diálogos: Economia e Sociedade Desafios e Perspectivas em Diálogos
    v. 1 n. 1 (2017)

    Rafael Ademir Oliveira de Andrade

    Editor da Revista Diálogos – UniSL

     

                Caros leitores, o material que agora chega a suas mãos graças aos avanços tecnológicos da rede mundial de computadores é fruto de um trabalho que apesar de árduo, está apenas começando. E por isso ainda não temos muito o que falar, apesar de termos muitas expectativas.

                Como professores no Centro Universitário São Lucas, instituição situada na Amazônia brasileira, temos um desafio fundamental: pensar ciência (administrativa, contábil, jurídicas, espaciais, de desenvolvimento, dentre outras) em um contexto de afastamento geográfico e histórico dos grandes centros de produção científica e tecnológica.

                Não afirmamos isso com sentimento de pequenez intelectual, mas com vistas ao desafio que se abre a nossas portas: o de construir um pensamento racional sobre ciência, desenvolvimento, tecnologia, gestão e responsabilidade social à partir de nossas construções, amazônicas, iniciais, dificultosas e cheia de intenções verdadeiramente únicas.

                A Revista Diálogos surge desse intuito de refletir no bojo do Centro Universitário São Lucas, em Porto Velho, em Rondônia, no Norte e no Brasil sobre essas perspectivas da realidade. Pretendemos ir além: falar do Norte para o norte e para além, quiçá estabelecer conexões que ainda não estabelecemos.

                Caros leitores, estamos aqui com intuitos de grandes realizações. Fiquem de olho nas oportunidades de leitura e publicação de nossa revista.

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