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Amazônia: Sustentabilidade e Políticas

2019-04-30

O objetivo desta edição é pensar políticas em contexto amazônico visando a sustentabilidade dos processos humanos. Importante salientar que o termo “políticas” não pode ser atribuído apenas as ações do Estado, os agentes privados também desenvolvem ações políticas em escalas menores, muitas vezes interacionadas as ações ou ausências estatais, ainda mais se pensarmos em grandes espaços geográficos e demográficos que é a Amazônia.

 

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Edição atual

n. 1 (2019): Edição especial

“Eu não sou de Humanas. Eu não sou de Exatas. Eu sou de ‘Ciências’ “

 

Raduan Krause Lopes

Guilherme Silveira Simões

 

Um questionamento que ouço com frequência, no ambiente acadêmico, é o comentário que “Eu sou de Humanas”, quando aparece algum fato matemático no contexto do diálogo. Essa frase, derivado de comentários em redes sociais, me levou a pensar que a Ciência Exata pode ter passado do intervalo de confiança estatístico, falhando como uma possibilidade de resposta aos problemas humanísticos.

A ciência, em sua essência, é uma maneira de ver e explicar os fenômenos do mundo. Muito se expressa por palavras, por conceitos e modelos escritos de modo que a mente consiga imaginar aquilo que está escrito. Uma outra maneira de se expressar um conceito ou modelo é pela Matemática, seja por gráficos, seja por equações, fórmulas ou meramente descrições nesse código. Essa codificação, porém, não tem um idioma. Matemática, atualmente, tem uma única língua. Gráficos, geometria, todos em uma única língua. O problema é que ser letrado em matemática é algo que muitos não gostam de fazer, porém, é algo necessário.

Explicar um problema, modelar a situação para que consiga, enfim, replicar e validar uma teoria, é algo de suma importância na ciência. Muitos dos conceitos passam por um processo evolutivo, bem parecido com aquele colocado por Darwin: um ambiente está ali, seres vivos competem com suas ferramentas, algumas espécies sobrevivem frente aos obstáculos e ajustam estratégias após sobreviverem ao primeiro problema, sem saber o que virá então. Assim trabalha a ciência: não sabe quais problemas virão, usamos as ferramentas que tempos, ajustamos as teorias ou usamos novas para explicar o problema, que serão escrutinadas com afinco para serem explicadas. Essa ideia é retirada da Fórmula de Popper, que, por ter uma “fórmula” na frente, nos faz pensar em um matemático, estatístico, ou algo similar.

O autor da Fórmula de Popper não é um matemático em essência, ainda que debateu sobre teoria quântica com Niels Bohr e Eistein. Não é um engenheiro ou um físico. Era o filósofo austríaco Karl Popper. Era “de humanas”, mas soube a importância de usar a matemática como ferramenta de trabalho. Nos primórdios da ciência, não havia distinção: o cientista não pertencia a uma área, e todos os campos deveriam ser valorizados e usados como ferramenta de trabalho e de construção do edifício do conhecimento.

Vejamos, nesta revista, o que é que as Ciências Exatas podem ser usadas para explicar o mundo e expor modelos para explicar situações e resolver problemas de várias áreas. Aplicar a exatidão nas ideias e modelos, de modo que se tornem mais robustos para serem confrontados num mundo onde teorias são confrontadas a todo o momento e, parafraseando Carl Sagan, “nossa espécie precisa, e merece, habitantes com mentes despertas e com um entendimento básico de como o mundo funciona”. Conceitos básicos são revistos a todo momento, muitas vezes desnecessariamente. Enquanto na saúde se confronta aqueles contra vacinação, em exatas temos os “terraplanistas” e suas modelagens. Essas interpretações são as falhas a serem evitadas. A ciência, por sua vez, não pode ser limitada na academia. Explique o mundo. Nós todos merecemos isso.

Publicado: 2019-03-14
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